##Pico da Bandeira

Setembro de 2014, madrugada de sábado, destino:

280 quilômetros e 5 horas depois, já em Minas Gerais, chegada em Alto Caraparaó para um almoço rápido, algum descanso e partir para encarar o objetivo: apreciar o pôr do sol no topo do Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do país.

Em 1994, já havia subido esse Pico com minha família. Não sei se por causa da nostalgia de umas férias fantásticas, mas a nossa lembrança era de uma caminhada fácil, apesar do frio e da neblina daquele júlio distante. Foi com essa promessa de uma aventura fácil que conseguimos convencer a família da namorada para se juntarem a nós nessa nova tentativa.

Infelizmente para eles — tão felizes nessa foto na base —, parece que a memória coletiva da minha família meio que deturpou a real dificuldade do percurso — especialmente para quem não tem costume de praticar montanhismo.

Ainda durante a primeira parte da subida, o sobrevoo de um helicóptero dos bombeiros, em missão de resgate de visitante que sofreu um ataque cardíaco, afetou negativamente o ânimo do grupo, já desgastado pelo calor e pela inclinação.

No Terreirão, a segunda área de acampamento do parque, já houve um discussão sobre possível desistência da jornada. Mas perseveramos.

Chegamos no topo na hora certa, aqueles que não estavam tomados por ataques de pânico puderam aproveitar um lindo pôr do sol, onde D. Pedro II mandou colocar uma bandeira por achar-se ser o ponto mais alto do país.

Para baixo todo santo ajuda

Esse provérbio está mais para exceção que regra: a descida foi muito pior que a subida. Frio, escuridão, terreno íngreme e cheio de acidentes… e o cansaço. No Terreirão quiseram desistir de novo.

Se chegamos na Tronqueira, onde nossa carona esperou por quase duas horas, foi pela paciência e confiança do nosso guia, quem aguentou desvairios, choramingos, xingamentos, reclamações — sorte dele ter levado cachaça para hidratar.